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Papel principal


Queria enxergar minha vida com a mesma clareza que enxergo a vida dos outros – seria mais fácil para mim. Eu falo algo para a pessoa – que nem sempre consegue entender o que digo –, espero o tempo passar e depois obtenho a resposta.

Não estou querendo dizer que sempre estou certa – longe de mim. Porém, ver a situação como coadjuvante, observadora, é mais fácil do que ver através das lentes do protagonista da história – papel destinado a pessoas que possuem conflitos e decisões nas mãos.

Talvez eu erre por despejar tudo de uma vez. Quando é comigo, preciso absorver a informação aos poucos, doses homeopáticas seguidas de reflexões. Eu até tento usar essa mesma tática com os outros, mas nem sempre tenho tanto tato.

Bom, depois que o calor da emoção passa, as coisas se encaixam – apesar de às vezes ser tarde para colar os pedaços que foram rasgados. Não sei se o meu pensamento está em um nível mais alto, do qual disponho de uma vista mais privilegiada, ou se é só por eu sempre tentar colocar os dois lados na balança para chegar a uma conclusão – só sei que não tenho lentes tão apuradas para a minha vida e queria que alguém me falasse mais sobre o que acontece comigo.

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Reticências


Não sei o que é melhor pra mim agora, realmente não sei. Quando você está ausente, sinto uma falta imensa. Penso em como seria se você estivesse aqui, como seria se vivêssemos juntos todos os dias, ou como seria se nós nos encontrássemos naquela hora. Quando falo com você, sinto coisas que nenhuma outra pessoa me faz sentir. As borboletas no meu estômago se manifestam cada dia mais, minhas mãos suam, meu coração acelera. Seu efeito sobre mim é extremo. Mas sei que se eu realmente quero esquecer, é melhor te evitar. Porque isso só vai fazer com que eu lembre mais dos dias ao seu lado, e com que eu sinta mais falta ainda quando estiver sozinha, pensando com meus botões. O que me intriga é que eu não tenho tanta certeza se eu realmente quero esquecer. Sei que deu errado uma ou duas vezes, mas e se tentarmos outra, dará errado também? E depois dessa, mais outra, será que não daria certo? Eu só tenho medo de acreditar em tudo de novo, e me machucar depois, da mesma forma que aconteceu das outras vezes. Meu problema é que não sei amar só um pouquinho, e não consigo não me entregar. Porém, se desistirmos e entregarmos os pontos agora, teremos que conviver com todos os “poderia ter sido…” que virão em nossa mente quando ouvirmos o nome um do outro.

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CHEGA, CANSEI.


Não sei mais oque fazer, falar ou pensar. Cada atitude minha só piora tudo, sempre. Não suporto mais não saber oque fazer.

Esta tudo bagunçado, tudo destruído dentro de mim. Não aguento nem mais uma lágrima, nem mais uma prece, nem mais um segundo deste inferno.

Já tentei de tudo, porem nada funciona, nenhum remédio surge efeito.

Nunca devia ter me deixado levar, como fui tola. Sempre soube que o melhor era não se apaixonar, era ponderar e nunca se entregar. Mas achei que seria diferente. Me enganei, e esqueci de um pequeno detalhe: a historia era comigo. Então mais uma vez tenho certeza que esse negocio de sentimento não é pra mim.

Agora só quero que tudo morra aqui dentro, para que não sinta mais nada, nunca mais. Não sei lhe dar com a perda, com a tristeza ou com qualquer outra coisa. Sou fraca.

Porém, eu cansei. Queria jurar a mim mesma que mais nenhuma lágrima ira cair por meu rosto, mas não quero me iludir ainda mais.

Quero ele ao meu lado, sim eu quero. Porém, não quero mais o ver chorar, porque toda vez eu erro, e é frustrante.

E agora oque me resta é engolir, todo esse sentimento, toda essa angustia , toda essa merda de amor, e como sempre fingir que esta tudo bem. Sou boa nisso até porque tenho muita pratica.

E é isso, mais uma vez minhas suspeitas estavam certas.

Preciso sumir, e deixar tudo de lado, mas como sempre: falar é muito mais fácil que fazer. Não sei viver longe.

Preciso aprender.

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Tudo que não posso


Quero deixa-lo livre, quero vê-lo feliz, mas meu coração não permite, não obedece a razão. Parece que quer me torturar, quer me ver definhar, ao não aceitar a pura e simples realidade: Já não é mais meu, já não devo mais ama-lo, mas fale isso pra esse tolo coração.

Deixa-lo partir e o ver sorrindo novamente é oque eu mais quero. Já tentei me afastar, já tentei não pensar, mas cada vez que o vejo é como um murro em meu estomago. É como ter uma pessoa me falando ao pé do ouvido: “Você perdeu”.

Jurei a mim mesma que não iria mais pensar, relembrar ou imaginar, pois, já não suporto mais. Não aguento mais a sensação de não telo em meus braços, de não mais lhe abraçar quando estiver triste, de rir daquelas besteiras de sempre, e de não mais beija-lo. Já não aguento as lagrimas.

Não suportarei mais vê-lo sofrer.

Queria estar ao seu lado para que quando uma lagrima escorresse eu pudesse enxuga-la, para quando ninguém mais o entender eu pudesse ouvir, para quando tudo parecer sem solução eu pudesse abraça-lo e dizer que tudo vai ficar bem. Só que entre nós sempre vai ser assim, ou tudo, ou nada.

Quando me olha, parece que tudo sumiu: todos os problemas, todas as frustrações, e que somos apenas nós. Tento disfarçar, mas não aguento tanto e logo digo adeus. Espero que um dia isso passe, que um dia as lagrimas parem de rolar.

Ainda lembro-me de seu abraço, de sua voz, do seu cheiro, do seu corpo, e do beijo que nunca esquecerei. Ainda lembro-me da sensação de estar aos seus braços, e de quando acariciava minha pele. Ainda lembro-me da sua risada, do seu sorriso. Ainda me lembro de tudo que deveria esquecer.

Desejo imensamente que me esqueça e que seja feliz, para que pelo menos um coração se salve.

Aguardo o dia em que esse meu órgão vital assuma suas reais funções, que minha memória fique fraca demais para lembrar, e que eu aceite que ele não é mais meu.

Ainda espero deixar de ama-lo.

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Esperança


Não desejo tudo, ou coisa alguma. Desejo apenas ter algo para chamar de meu. Meu coração, minhas vontades, minha vida.

Embora tantas vezes tenha chorado, e tantas vezes a dor ter feito parte do meu eu, agora me sinto limpa, tranquila. Percebi que sempre fazemos um pequeno problema, se transformar em um grande pesadelo.

A vida é muito curta para ser desperdiçada.

Sei que ainda vou chorar muito, e varias vezes vou me sentir incapaz de levantar a cabeça e seguir em frente. Mas irei me erguer, irei enfrentar os problemas de cara. Pois, embora saiba que a vida nos passa a perna varias vezes, tirando nosso chão, nos deixando caídos e humilhados, ela também nos traz tantas alegrias.

A vida nos passa tão depressa, tão corrida, que não damos real valor aos momentos mais importantes. Como uma manhã gelada de domingo, no conforto de um cobertor que aquece nosso corpo frio. Como uma risada, entre nossos entes queridos. Como o sorriso de uma criança, tão belo e tão inocente, e tantos outros.

São esses simples momentos que enchem meu peito de alegria, uma alegria tão grande, que explicar se torna algo dificílimo.

Muitas pessoas passam por nossas vidas, e varias dessas mudam nosso rumo, uma mudança às vezes imperceptível, e que faz toda a diferença.

A essas pessoas, todo o meu agradecimento, pois foram elas que me fizeram assim, e eu tenho um orgulho enorme. Sei que não sou a pessoa mais perfeita desse mundo, mas sou eu mesma, nem mais esperta, nem mais bonita, nem mais amável, nem mais nada, apenas eu mesma.

Espero que consiga realizar todos os meus sonhos, oque sei que é impossível, porém aqueles que nunca forem realizados, jamais deixaram de ser idealizados em minha mente. Até mesmo porque um sábio disse um dia: “A esperança é a ultima que morre.”.

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Insistência


Largou-se na cama. Deixou a temperatura aumentar e diminuir conforme o clima desejava. Tinha seus olhos fixos na janela, mas os pensamentos muito além dela. Abraçada a si mesma, bagunçada, com as alças de sua blusa caídas em seus ombros, ela estava lutando. Sozinha. Em silêncio. Consigo mesma, contra seus sentimentos. Contra quem realmente era. Contra o que queria se tornar, e contra o que queriam que ela se tornasse.

Era sempre uma guerra. Ela nunca encontrava paz em si mesma. Nunca sabia como organizar-se. Como encontrar-se. As palavras alheias pareciam simples quando pronunciadas, e até faziam-na pensar que realmente fosse tão fácil assim. Mas nunca fora, por que seria agora?

Passava os dedos repetidas vezes entre seus cabelos. Tentando esconder a dor de si mesma. Apertando os olhos para que as lágrimas caíssem ligeiramente, como se elas fossem cessar na mesma velocidade em que escorriam em seu rosto. Mas não estava acontecendo da forma como ela queria. Nada, na verdade, estava ocorrendo da forma como ela desejou. E isso a fazia se sentir como coisa nenhuma. Simples assim: Uma negação frágil.

Apertava sua cabeça, encolhia-se contra a parede, e enfiava descontroladamente todos os tipos de pensamentos que a fizessem esquecer a dor. Tentava ao máximo consolar-se. Desejava depender dela mesma, ser feliz por ela mesma. Porém, os pensamentos de que isso já havia ocorrido centenas de vezes, só fazia sua ferida abrir-se mais. E conforme abria, ela tentava curar a ferida passando sonhos e palavras positivas por cima dela. O que só fazia arder em maior grau. Era como passar álcool em uma ferida aberta.

Encontrava-se assim: Ferida. Todos os dias, sem nenhuma exceção. Apenas estava escondendo com a sua quietude e frieza. Ou até mesmo, com seu pseudo divertimento.

Mas estava tentando. Sempre estava.

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E agora?


Sinto-me só, sem ele aqui ao meu lado, me sinto perdida, deslocada. Por tanto tempo ele esteve ao meu lado, que agora que se foi me desequilibrei, perdi meu apoio.

Foi sempre ele que me afagou em seus braços, quando as lagrimas se afloravam em meus olhos. E sem nenhuma palavra, ele sabia oque eu precisava. Agora me sinto desprotegida, frágil, sem ninguém ao meu lado para me abraçar em silêncio.

Preciso tanto dele, sinto tanto a sua falta. Esta piorando, já não da mais para dizer que esta tudo bem, e fingir que tudo morreu. Queria que estivesse aqui ao meu lado, só ao meu lado.

Como pude me enganar tanto. Eu tinha certeza que não ia sofrer que ia ficar tudo bem. Porque isso agora?

É difícil.

Realmente só damos valor às coisas quando perdemos, e quando resolvemos corrigir o erro, já pode ser tarde demais.

Quero abraça-lo forte e por muito tempo. Quero afagar sua mão. Porque sei que só serei feliz com ele, e que nenhum outro garoto irá me fazer sentir como ele me faz.

Já não sei se o amo ou se somente sinto sua falta, mas uma coisa é certa: Vai ser pra sempre meu primeiro grande amor.

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