É um poço, um buraco fundo.
Vazio, silêncioso e úmido.
A rispidez com que partistes deixou marcas.
Os arranhões teus continuam lá, sangrando em carne viva.
E Tuas palavras, ainda rompem os ouvidos e escorrem os olhos.
A menina por quem te apaixonastes continua lá, escorada em um canto distante.
A criança que toda noite chora o vazio de uma cama desarrumada.
Que implora ao papai do céu para o silêncio ir embora.
Fraca.
Cálida.
Já não suporta a falta das tuas mão em seus cabelos.
Dos teus braços em sua cintura.
Ela chora, geme por ter sido substituida por essa cópia.
Essa cópia mal feita e desalinhada dela mesma.
Que não sabe oque pensar, e já não quer mais sentir
Preenche a falta com qualquer coisa que ja não a fira.
Qualquer uma noite, qualquer garrafa.
Prendendo-se em falsos sentimentos, em sorrisos forjados.
Decepciona sem se importar, machuca sem ligar.
Mas em suas entranhas implora para a dor passar.
A menina quer voltar.
Quer fazer orgulhar.
Mas é dificil juntar todas as partes desse coração que ela mesma partiu.
Tão dilacerado.
Sozinha ela segue tapando os buracos.
Aqueles que a chuva deixou.
Esperando ser melhor.
Aguardando a garotinha voltar.
A garotinha que um dia chamastes de "meu anjo".